Se assumir como homossexual não é coisa fácil. Ainda nos dias de hoje, mesmo com toda a propagação da mídia, muitas pessoas não aceitam a questão e continuam levantando a bandeira do preconceito. Não conseguir lidar bem com estas ações preconceituosas é que leva a indecisão do gay em assumir-se para os familiares e para o grupo social.
O fato é que quando se é heterossexual, ninguém precisa se assumir para os pais, amigos ou a sociedade, já quando se é gay, mesmo que não seja cobrado por ninguém, pesa o fato de contar, como se fosse uma obrigação moral.
Sendo assim, coloquei abaixo alguns pontos para reflexão que podem ajudar neste momento:
1. Você tem certeza de que é homossexual?
Se você ainda está confuso, tem dúvidas se é mesmo gay ou lésbica, é melhor dar mais um tempo para ter certeza. Se você está confuso, evite criar mais confusão na cabeça de seus familiares e o que é pior... uma pressão gerada na cobrança de sua decisão.
2. Você tem sentimento de culpa?
Se ainda tem pensamentos de culpa, se acha que está errado ou que sua forma de amar é pecado e passa por períodos de depressão... primeiro resolva isto. Para se assumir verdadeiramente, você tem que estar feliz, com sua autoestima positiva. Quando se está seguro é muito mais fácil enfrentar os preconceitos e os dramas familiares.
3. Como falar?
Primeiro faça amizade com algum gay ou lésbica já assumida. Troque ideias, ouça as histórias deles, questione como se assumiram, como foram às reações dos familiares, quais as vantagens de permanecer no “armário”, enfim faça amizades e conviva no ambiente homo para ver qual modelo de vivência você se identifica mais.
4. Você tem o apoio de alguém?
É fundamental que você conte com a compreensão de algum parente ou amigo próximo da família, que possa acalmar seus pais se a reação deles for devastadora. Esta pessoa é também importante para dar-lhe apoio emocional para enfrentar essa nova situação de vida. Discutam todos os detalhes, as reações previsíveis de ambas as partes, e se achar prudente, esteja com esta pessoa amiga por perto no momento da revelação.
5. Você depende ainda financeiramente de seus pais?
Se você é jovem e depende dos pais, talvez seja melhor esperar para se assumir quando tiver seu próprio salário e moradia independente. Contudo, caso decida abrir o jogo ainda morando com sua família, não aceite de forma alguma que eles imponham qualquer castigo ou repressão. Homossexualidade não é crime nem doença e você deve exigir que seja respeitado. Afinal, se alguém está errado não é você e sim quem discrimina os gays e lésbicas.
6. Qual o melhor momento para contar?
Se você avalia que sua família poderá ficar muito abalada ou que talvez eles não aceitem sua opção homossexual, infelizmente, é melhor continuar "fingindo que não é, e eles fingindo que não sabem". Se você acha que eles primeiro vão condenar, depois vão aceitar, escolha então uma ocasião em que a família estiver tranquila, sem doenças graves ou mortes próximas. O importante é demonstrar que a única coisa que vai mudar no relacionamento familiar a partir de agora, é que você deixará de viver na clandestinidade, continuando a mesma vidinha de amor e respeito como antes da revelação.
7.Seja Paciente!
Se teus pais são muito conservadores e moralistas, e se não desconfiavam de nada, certamente precisarão de mais tempo para se acostumar com a ideia de ter um filho gay ou uma filha lésbica. Isto pode levar meses ou até anos. Se para você é muito importante manter bom relacionamento com a família, então além de ser paciente, evite qualquer conversa ou atitude que possa aumentar a vergonha ou raiva que passaram a sentir pôr você. Não entre em detalhes sobre sua vida íntima, só leve algum amigo ou amiga homossexual à sua casa se tiver certeza que ajudará os pais a te aceitarem melhor.
8. O importante é ser feliz!
Se sua família recusa-se, mesmo depois de muitas tentativas e paciência de sua parte, a te aceitar e te amar como gay ou lésbica, não abra mão de sua realização e felicidade pessoal para agradar aos parentes. Quem está errado não é você, são eles que devem mudar, portanto, se não te aceitam como você é, construa novos laços de amizade, amor e compreensão. Cortar o cordão umbilical ou livrar-se da barra da saia materna, no início pode ser duro e difícil, mas é o primeiro passo de uma vida mais autêntica e feliz. Mas não seja radical! Evite cortar as relações drasticamente, se puder mantenha bom contato com seus pais, irmãos e demais parentes, assim você já tem um bando de aliados para enfrentar a intolerância fora de casa.
Você está nesta fase de sua vida? Ainda pensando se deve contar ou não? Comente abaixo, dê sua opinião. Se preferir me envie por e-mail alguma dúvida ou sugestão para artigos...
Um abraço,

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